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sexta-feira, 7 de julho de 2017

HEROÍNAS EM AÇÃO: VAMPIRELLA


  Uma das mais antigas bad girls dos quadradinhos, foi também uma das primeiras a estrelar um filme em nome próprio. Inspirada numa diva da ficção científica, da sua itinerância editorial resultaram diferentes origens e uma radical mudança de visual. A sua missão, essa, perdura: caçar vampiros degenerados e outros predadores sobrenaturais da Humanidade.

Denominação original: Vampirella 
Licenciadora: Warren Publishing (1969-1983); Harris Publications (1991-2010); Dynamite Entertainment (2010 - Presente)
Criadores: Forrest J. Ackerman (história), Trina Robbins, Frank Frazetta e Tom Sutton (arte conceptual)
Primeira aparição: Vampirella nº1 (setembro de 1969)
Identidade civil: Nenhuma
Local de nascimento: Drakulon (Warren Publishing); Inferno (Harris Publications)
Parentes conhecidos: Lilith (mãe), Draculina, (irmã gémea), Madek (irmão), Magdalene (irmã) e Drago (meio-irmão)
Espécie: Vampiro
Ocupação: Agente secreta do Vaticano e atriz 
Base operacional: Móvel
Afiliações: Vaticano e Sofia Murray (ver Galeria de Coadjuvantes)
Armas, poderes e habilidades: Detentora de muitos dos poderes típicos dos vampiros mitológicos, o extenso cardápio de talentos sobrenaturais de Vampirella tem, contudo, sofrido variações no decurso dos anos. Entre aqueles que seguem imutáveis avultam desde logo as capacidades físicas amplificadas a níveis muito superiores aos humanos.
À superforça, Vampirella alia, assim, a supervelocidade e os sentidos aguçados. Enquanto a primeira lhe permite, por exemplo, usar a âncora de um navio para derrubar um helicóptero, é graças à segunda que aturde os seus oponentes ao assumir em combate a forma de um borrão em movimento. Além de uma visão noturna perfeita, Vampirella possui igualmente uma espécie de perceção extrassensorial que deteta a presença de seres e forças sobrenaturais.
Voar é outra das capacidades que a acompanham desde os seus primórdios. Variando, no entanto, os meios empregues para o fazer. Se na sua versão primordial a heroína se transformava num morcego, nas suas encarnações mais recentes apenas lhe brotam asas das costas.
Sobrevindo daí a sua presumível imortalidade, Vampirella dispõe de um fator de cura que não só lhe permite recuperar rapidamente mesmo de ferimentos profundos como a imuniza praticamente de todas as patologias e toxinas terrestres.

Vampirella é muito mais poderosa
do que os vampiros tradicionais,
Apesar de formidáveis, estes poderes clássicos empalidecem se comparados com alguns do que Vampirella exibe esporadicamente. A saber: telepatia, hipnotismo, transmorfismo, invisibilidade e até a capacidade de aceder a memórias alheias bebendo o sangue das suas vítimas
Menos consistente é, por outro lado, a sua capacidade de converter humanos em vampiros. Os mesmos humanos que, não raro, têm as suas vontades manipuladas pela influência hipnótica  de Vampirella exercida tanto pela sua voz melodiosa como pelo seu olhar mesmerizante.
Na sua exacerbada sensualidade Vampirella tem, naturalmente, outra das suas armas mais eficazes, sobretudo entre os descendentes de Adão. Em quem, de resto, a sua simples presença basta para induzir desejos libidinosos.
Convém, no entanto, sublinhar que todos estes talentos sobrenaturais podem ser drasticamente diminuídos em consequência da exaustão física de Vampirella, impondo-se nessa situação o consumo de sangue para retemperar forças. Funcionando dessa forma o precioso néctar mais como um tónico ou elixir terapêutico do que como um alimento.
Desenganem-se, porém, os que acreditam que Vampirella fica indefesa quando privada temporariamente das suas habilidades especiais. Ou não fosse ela uma exímia lutadora corpo a corpo, tendo já demonstrado também proficiência no manejo de armas de fogo. Motivos de sobra para justificar o seu estatuto de uma das mais poderosas super-heroínas da banda desenhada.

Quando ferida ou exausta,
Vampirella precisa beber sangue para se recuperar.
Fraquezas: Isenta pela sua fisiologia extraterrestre das tradicionais vulnerabilidades dos vampiros, Vampirella é imune aos efeitos da água benta, do alho, dos crucifixos e até da luz solar (pese embora prefira evitá-la). Segundo a própria revelou quando foi empalada pela Lança de Longino (artefacto sagrado que herdou o nome do centurião romano que o terá usado para perfurar o tórax de Jesus Cristo), a única forma de matá-la seria trespassar-lhe o coração.
No entanto, numa outra ocasião, Vampirella sobreviveu depois de ter tido o seu coração trespassado por uma flecha. Aparentemente, isso ficou a dever-se ao facto de ela ter removido o projétil a tempo de deixar o seu fator de cura atuar.
Graças ao soro especial desenvolvido por um dos seus aliados (ver Galeria de Coadjuvantes), Vampirella está também livre dos sintomas de abstinência de sangue que acometem os outros vampiros, compelindo-os a caçarem as suas presas por uma questão de sobrevivência.

Supõe-se que somente uma estaca
 cravada no coração poderá matar Vampirella.
Conceção: No auge da revolução sexual feminina que, em boa medida, ditou o frenético compasso da década de 1960, partiu de James Warren, fundador da Warren Publishing, a ideia de criar uma heroína representativa da mulher moderna e emancipada.
Estávamos em 1969, ainda na ressaca do chamado Verão do Amor e, no ano anterior, Barbarella - filme baseado na aventureira espacial criada em 1962 pelo escritor e ilustrador francês Jean-Claude Forest - consagrara a atriz Jane Fonda como um ícone sexual, abrindo assim caminho ao surgimento de personagens similares.
Influenciado pela estética erotizada de Barbarella, Forrest J. Ackerman, o lendário editor da Warren que nunca antes escrevera uma história, voluntariou-se para desenvolver um conceito com os atributos que o seu patrão tinha em mente.

Forrest J. Ackerman (1916-2008),
um dos "pais" de Vampirella.

Na sua versão primitiva, era frequente Vampirella
 ser retratada como uma aventureira espacial à imagem de Barbarella (cima).
A conceção de Vampirella resultou, todavia, de um consórcio criativo que, além de Ackerman, congregou também os artistas Frank Frazetta, Tom Sutton e Trina Robbins. Cabendo a esta última desenhar o (diminuto) figurino da personagem inspirado no visual insinuante das musas e ninfetas que, naquela época, perfumavam com a sua sensualidade as histórias de ficção científica. Dado o seu arrojo, o uniforme de Vampirella serviria, por sua vez, de modelo às indumentárias das bad girls ( assim definidas pela sua conduta violenta e pela sua ambiguidade moral) que, no arranque dos anos 1990, surgiram em catadupa na banda desenhada e no cinema. Sob vários aspetos, Vampirella pode, portanto, ser percecionada como uma precursora dessa tendência cultural cujas expressões perduram até hoje.
Outra originalidade subjacente ao processo criativo de Vampirella concerne à forma como o seu nome foi escolhido. Inserido numa lista composta por outras cinco  denominações sugestivas submetidas à apreciação dos visitantes da editora, "Vampirella" seria o mais votado, apesar da evidente proximidade fonética com Barbarella (ou, quiçá, por causa dela).
Certo é que Vampirella resistiu com elegância à passagem do tempo, chegando aos nossos dias com o seu charme e carisma praticamente intactos, malgrado algumas concessões recentes ao politicamente correto (ver Origem e evolução).


Witchblade (Image Comics) e Lady Death (Chaos Comics):
duas das bad girls dos ano 90 claramente influenciadas por Vampirella.
Histórico de publicação: À boleia do sucesso de Creepy e Eerie, em setembro de 1969 a Warren Publishing resolveu reforçar com Vampirella a sua linha de antologias de terror. O novo título diferenciava-se dos seus antecessores ao incluir histórias a solo da personagem que o apadrinhava.
Antes do seu encerramento, em março de 1983, foram publicados 112 números de Vampirella, a que se somam várias participações especiais da heroína em séries alheias. Foi, aliás, num desses crossovers que ela mediu pela primeira vez forças com Pantha (ver Galeria de Coadjuvantes), a outra diva do universo Warren.
Logo após a falência da Warren Publishing, no verão de 1983 a Harris Comics arrematou em leilão os seus principais ativos. Apesar de, em 1999, o antigo proprietário da Warren, no culminar de uma longa batalha jurídica, ter conseguido readquirir os direitos sobres os títulos Creepy e Eerie, a série estrelada por Vampirella continuou a ser a coqueluche da Harris Comics. Que, entre 1991 e 2007, a continuou a publicar, assim como um vasto repertório de minisséries e edições especiais.
Em março de 2010, a Dynamite Entertainment adquiriu os direitos de publicação de Vampirella e, logo em novembro desse ano, lançou uma nova série regular da heroína. Após um primeiro reboot em 2014, a série seria relançada no início de 2016, apresentando uma Vampirella vestida mais de acordo com os padrões estéticos do nosso século.

Uma Vampirella para o século XXI
 ou uma cedência ao politicamente correto?
Origem e evolução: A cada mudança de editora por parte de Vampirella correspondeu uma versão revista da sua história. E digo "revista" porque, a despeito da inclusão de elementos inovadores, estes misturavam-se sempre com os clássicos. Motivo pelo qual não é legítimo aludir a uma origem definitiva da personagem, mas antes às suas múltiplas declinações.
Fortemente influenciada, como já vimos, pela estética e erotismo de Barbarella, aquando da sua estreia sob os auspícios da Warren Publishing, Vampirella começou por ser apresentada como uma voluptuosa vampira alienígena de coração nobre proveniente de Drakulon. Neste exótico planeta alumiado por dois sóis corriam rios de sangue de onde os seus habitantes tiravam o sustento.
À medida que os rios escarlates iam secando devido à implosão de uma das estrelas gémeas, os Vampiri - assim se designavam os autóctones de Drakulon - iam definhando e perecendo aos milhares.
Já poucos sobreviventes restavam, de facto,  em Drakulon quando um grupo de astronautas terrestres se despenhou naquele mundo condenado. Enviada para investigar os estranhos visitantes, Vampirella, depois de por eles ter sido atacada, descobriu que lhes corria sangue nas veias. Na esperança de conseguir salvar a sua espécie da extinção iminente, Vampirella viajou então para a Terra aos comandos da nave acidentada.
Chegada ao nosso planeta, Vampirella foi obrigada a agir nas sombras após descobrir a proliferação de vampiros degenerados aparentados com a sua espécie, e que predavam os humanos. Decidiu então dedicar a sua energia a caçá-los, o que a colocaria em rota de colisão com Drácula, outro expatriado de Drakulon chegado séculos antes à Terra, assim iniciando uma sanguinolenta genealogia.


Drácula versus Vampirella: duelo sangrento entre sobreviventes de Drakulon.
Sem romper totalmente com esta narrativa pregressa, no início do anos 1990 a Harris Comics reformulá-la-ia de forma substancial. Já não uma vampira extraterrestre, Vampirella surgia agora como a filha pródiga de Lilith, a primeira esposa de Adão banida por Deus do Paraíso devido à sua recusa em submeter-se ao marido.
Exilada no Inferno por incontáveis eras, Lilith deu à luz milhares de demónios antes de, aparentemente, se arrepender dos seus pecados. Em busca de redenção, retornou ao Céu onde gerou dois filhos, Madek e Magdalene, que pretendia enviar para a Terra para combater as forças do Mal. Sucede que os gémeos foram precocemente corrompidos, obrigando Lilith a gerar Vampirella. Quando esta nasceu, os seus pérfidos irmãos implantaram-lhe falsas memórias que a induziram a acreditar ser originária do planeta Drakulon.
Este excerto da sua origem seria, também ele, objeto de revisão alguns anos mais tarde. Embora se tratasse de um sítio real, Drakulon não era um planeta, mas sim um território do próprio Inferno. Ficando aliás implícito que teria sido lá, e não no Céu, que Vampirella havia sido criada.
Numa revisitação posterior desta versão seriam finalmente reveladas as verdadeiras motivações de Lilith (entrementes morta e ressuscitada) quando decidiu gerar Vampirella. Não tinha sido o arrependimento a ditar as suas ações, mas sim a necessidade de criar uma arma viva para exterminar os vampiros, cuja existência enfraquecia o seu poder. Contrariamente ao que tinha sido sugerido até essa altura, apurou-se, também, que fora a própria Lilith a sugestionar Vampirella relativamente ao seu passado em Drakulon.
Quando passou a ter as suas histórias publicadas pela Dynamite Entertainment, Vampirella começou por ser uma aliada relutante de Drácula no combate a um inimigo comum, passando em seguida a trabalhar como agente secreta do Vaticano. Altura em que ganhou um novíssimo visual, assinalando a rutura com o insinuante figurino que fora a sua imagem de marca ao longo de quatro décadas e dela fizera um símbolo sexual.
Essa não foi, porém, a única mudança radical na vida de Vampirella. Recém-chegada ao nosso planeta, vive com o namorado lobisomem enquanto tenta conciliar o seu trabalho de investigadora do paranormal ao serviço da Santa Sé com o de atriz de filmes de terror, em Hollywood.

Sortilégios lunares de uma princesa das trevas.
Versões alternativas:

Com a chancela Anarchy Studio (linha de títulos manga da defunta Harris Comics), no ano 2000 foi lançada Vampi, série mensal protagonizada por uma versão futurista de Vampirella em busca de uma cura para o seu vampirismo. Além dos 25 números publicados foram lançadas em paralelo diversas minisséries e edições especiais baseadas nesse exercício de imaginação.
Catorze anos depois, já sob os auspícios da Dynamite Entertainment, foi dado à estampa Li'l Vampi, um volume especial que dava a conhecer as aventuras de uma Vampirella de palmo e meio empenhada em descobrir o motivo de monstros quererem destruir uma pequena cidade do Maine.

A versão futurista e manga de Vampirella
lançada pelos Anarchy Studios em 2000.

Galeria de coadjuvantes:

Lilith: Mãe de Vampirella e a primeira mulher criada por Deus. A sua história é narrada numa versão alternativa de Génesis, o primeiro tomo comum às Bíblias Hebraica e Cristã. Nele, ela surge descrita como tendo sido a esposa original de Adão - precedendo, portanto, Eva nesse papel - e a mãe dos demónios após o degredo a que foi condenada no Inferno devido à sua insubmissão perante o marido. Enviou Vampirella para a Terra a fim de salvaguardar o seu poder;

Lilith, a viciosa mãe de Vampirella.
Madek e Magdalene: Gémeos malignos irmãos de Vampirella. Foram eles quem, na versão revista da sua origem introduzida pela Harris Comics, lhe implantaram falsas memórias relacionadas com Drakulon;

Conrad Van Helsing: Cego e dotado de habilidades psíquicas, é um implacável caçador de vampiros. Seguia a peugada de Drácula quando encontrou pela primeira vez Vampirella, a quem tomou por uma concubina do Príncipe das Trevas, tentando, por isso, destruí-la;

Adam Van Helsing: Filho de Conrad Van Helsing e último descendente de uma linhagem ancestral de caçadores de vampiros, resolveu seguir as pisadas do pai tornando-se investigador do paranormal, atividade em que chegou a ser coadjuvado por Vampirella. Acreditava na boa índole da filha de Lilith e os dois viveram um fugaz idílio até ele ser assassinado por Nyx;

Nyx: Fruto da união profana entre Caos (o deus insano) e Lucrécia Bórgia (filha ilegítima do Papa Alexandre VI) é uma híbrida de mulher e demónio, ensinada desde o berço a odiar a Humanidade. Vive obcecada com a ideia de destruir Vampirella e tudo o que ela ama;

Pendragon / O Grande Mordecai: Antigo feiticeiro, ganha atualmente a vida com os seus espetáculos itinerantes de magia. Mantém uma relação paternalista com Vampirella e, nas antigas histórias da Warren, os dois costumavam viajar juntos à procura de ameaças sobrenaturais. Apesar dos seus conhecimentos de magia e das suas boas intenções, nem sempre age como um parceiro de aventuras confiável, uma vez que é frequente embriagar-se, adormecer ou perder-se. Vampirella é-lhe, no entanto, extremamente leal, pois vê-o como a única família que lhe resta;

Tyler Westron: Um físico que resgatou Vampirella após um acidente de aviação. Devido aos severos ferimentos sofridos pela heroína, Tyler teve de amputar-lhe as asas. Foi também ele o inventor do soro à base de sangue sintético que mantém Vampirella sob controlo;

Rainha de Copas: Outrora a Meretriz da Babilónia, o seu espírito infundiu-se magicamente com uma carta da Rainha de Copas. Desde então, sempre que uma mulher toca uma dessas cartas, transforma-se numa potencial hospedeira para esta lasciva entidade demoníaca. Deseja ardentemente ser desposada por Caos, o deus louco, e por isso recolhe corações humanos para o presentear.

A infame Rainha de Copas.

Sofia Murray: Uma jovem gótica de Seattle que sobreviveu a um ataque de La Fanu, uma vampira francesa contemporânea de Napoleão Bonaparte. Encontrou um propósito de vida ao lado de Vampirella, de quem se tornou amiga e adjunta na encarnação moderna da heroína inserta no Universo Dynamite Entertainment. 

Tristan: Atual namorado de Vampirella, é um lobisomem afável e inconformado com a sua licantropia;

Pantha: Originalmente uma transmorfa nativa de Drakulon, o planeta natal de Vampirella. Capaz de assumir a forma de uma pantera negra, a sua ferocidade suplantava, contudo, a da sua compatriota. Em histórias ulteriores passou a ser retratada como uma sacerdotisa do Antigo Egito condenada à imortalidade depois de ter matado e devorado a própria prole. Nem sempre conserva memórias do seu passado nas suas sucessivas reencarnações e tem na ambivalência moral um dos traços distintivos da sua personalidade. A sua relação com Vampirella oscila, portanto, entre a animosidade mútua e as alianças pontuais.

Pantha, a arquirrival de Vampirella.
Notas soltas:

*Apesar do clima tropical e do culto da sensualidade praticado no país do samba e do Carnaval,  em 1973 Vampirella chegou às bancas brasileiras mais agasalhada do que o habitual. Viviam-se os tempos da ditadura militar (1964-1985) e, em defesa dos valores conservadores sobre os quais o regime fora fundado, a primeira capa do título epónimo lançado pela Kultus foi censurada. Ao figurino original da heroína foi adicionado um top a fim de tentar garantir um mínimo de recato;
*Ainda por terras de Vera Cruz (onde, a exemplo de Portugal, a personagem continua pouco divulgada), terá sido durante uma viagem ao Brasil que Forrest J. Ackerman terá aproveitado o voo para idealizar Vampirella. Anos mais tarde, era já a Harris Comics detentora dos direitos da personagem, um ilustrador brasileiro ficou em segundo lugar num concurso internacional organizado pela editora para selecionar o artista para uma edição comemorativa de Vampirella

O visual retocado de Vampirella na sua estreia brasileira.
*Vampirella tem uma gémea loura de sua graça Draculina. Desconhecida da generalidade dos leitores, a personagem em questão fez as vezes de narradora numa estória da irmã publicada em Vampirella nº2 (1969), eclipsando-se em seguida. Depois de quase quatro décadas de obscurantismo, Draculina ressurgiu na atual continuidade de Vampirella na Dynamite Entertainment;
*Remonta a 1976 o primeiro projeto para uma adaptação cinematográfica de Vampirella. Nesse ano, a companhia britânica Hammer Films anunciou a sua intenção de produzir uma longa-metragem da heroína, chegando mesmo a circular algum material publicitário. A ideia, porém, nunca ganhou forma nem substância, sendo preciso esperar mais uma vintena de anos até aquela que foi uma das primeiras bad girls da banda desenhada ganhar vida não no grande, mas no pequeno ecrã (vide texto seguinte).


Após décadas de anonimato, Draculina, a gémea loura de Vampirella,
disputa o proscénio à irmã.
Noutros segmentos culturais: 

Em 1996, Vampirella tornou-se uma das primeiras super-heroínas a ter direito a um filme em nome próprio. Dirigido por Jim Wynorski e com a ex-modelo Talisa Soto no papel principal, Vampirella (cujo elenco incluía ainda o ex-vocalista dos The Who, Roger Daltrey), foi produzido no âmbito de um projeto do canal por cabo Showtime que tinha como objetivo a revitalização de dois géneros decadentes: terror e ficção científica.
Coincidentemente, nesse mesmo ano estreou nos cinemas de praticamente todo o mundo Barb Wire, película epónima baseada noutra das mais carismáticas bad girls da banda desenhada - propriedade da Dark Horse Comics - , a quem Pamela Anderson emprestou as suas sumptuosas curvas. Num caso como no outro, o resultado não poderia ter sido, porém, mais dececionante, com as duas produções a serem arrasadas pela crítica e a deixarem os fãs com os cabelos em pé.

Um exemplo acabado de trash movie
 renegado pelo próprio realizador.
O caso de Vampirella foi, no entanto, mais crítico, ao ponto de o seu realizador se arrepender até hoje de o ter feito feito. Após uma produção anárquica marcada por constrangimentos financeiros (o orçamento disponível era de apenas um milhão de dólares), divergências criativas (Wynorski discordou da escolha de Talisa Soto), noitadas nos casinos de Las Vegas (cidade escolhida para acolher as filmagens) e até por furtos (alguém roubou sistematicamente dinheiro do set), o filme (que chegou a ter uma sequela prevista) seria rapidamente votado ao ostracismo por via do seu lançamento direto no circuito de vídeo e do repúdio dos fãs. Uma clamorosa indignidade para com uma personagem que figura até hoje na 35ª posição da lista das cem mulheres mais sensuais dos quadradinhos elaborada pelo Comics Buyer's Guide, e que há muito tem lugar cativo na iconografia popular.

Talisa Soto interpretou uma Vampirella sem chama.






sexta-feira, 23 de junho de 2017

FÁBRICA DE MITOS: QUALITY COMICS


  Reflexo da hiperatividade do seu fundador, foi uma das mais prolíficas editoras da Idade de Ouro dos comics. Influenciou sobremaneira o género super-heroico, acompanhando-o, porém, no seu inexorável declínio. Votada a um imerecido esquecimento, o oportunismo da concorrência ajudou a manter vivo parte do seu fascinante legado.

Uma era de maravilhas e mistérios



Imagine o estimado leitor que é um arqueólogo e que o seu maior sonho consiste em reconstruir o esqueleto de um dinossauro raro. Para executar tão complexa operação necessitaria não só de identificar os vestígios da sua passagem como de proceder à cuidadosa escavação dos fósseis. Mesmo que a sorte lhe sorrisse e os encontrasse em perfeito estado de conservação, teria sempre de certificar-se de que aquelas ossadas pertenciam, de facto, ao animal que motivou a sua demanda, e não a um espécime aparentado.
Cumpridas todas essas etapas, seria bem possível que lhe faltasse pelo menos um osso. Sabendo de antemão que este, à semelhança da peça de um qualquer quebra-cabeças, por mais pequeno que fosse, poderia fazer toda a diferença.
Diante do esqueleto incompleto daquele resquício de um mundo há muito perdido nos rincões do tempo, seriam decerto inúmeras as dúvidas a assaltar-lhe o espírito e a mente. Desde logo as circunstâncias da morte daquela exótica criatura. Ter-se-ia ficado a dever a causas naturais? Ou teria, ao invés, sido resultado do ataque de um qualquer predador?


Vem esta analogia jurássica a propósito da significativa dificuldade em documentar o Big Bang criativo a que os historiadores da Nona Arte convencionaram designar de Idade de Ouro da Banda Desenhada. Sendo esta usualmente balizada pelo lapso de tempo compreendido entre 1938 (ano do debute de um certo Homem de Aço) e 1956, e atendendo à plêiade de editoras que pontificaram durante esse período (algumas deles verdadeiros fogos-fátuos cujo fulgor se extinguiu sem deixar rastro), percebe-se a razão dessa dificuldade. Robustecida, ademais, pelo facto de muitos dos intérpretes dessa época mirífica já não se encontrarem entre nós.


À falta dos seus testemunhos em discurso direto, restam, pois, as raras entrevistas por eles concedidas em vida. Ou, em derradeira instância, as suas obras. Pressupondo, claro, que estas terão sido conservadas ou, pelo menos, devidamente catalogadas. Algo que, para grande consternação dos arqueólogos da Nona Arte como este que vos escreve, nem sempre se verificou.
Se no caso de editoras como a Marvel e a DC, cuja atividade tem sido contínua desde esses tempos áureos, a sua história vem sendo documentada internamente - e até, pontualmente, dada à estampa sob a forma de imponentes compêndios - outras houve que, mercê de circunstâncias diversas, ficaram parcial ou totalmente sepultadas sob as areias da memória, adensando dessa forma o mistério em seu redor.


Não se tratando de um enigma imperscrutável, há, contudo, ainda muito por descobrir acerca da história da Quality Comics. Tanto mais que datam apenas do início da década de 70 do século transato os primeiros estudos (conduzidos por Jim Steranko, lenda viva dos comics) sobre aquela que foi uma das precursoras da Idade do Ouro. E que, sob a pátina do imerecido oblívio a que foi votada, deixou um riquíssimo património cultural e artístico que urge revisitar, porquanto foi apenas parcialmente resgatado por duas das suas antigas concorrentes. Sim, leram bem. Ao contrário do que é voz corrente, a DC Comics não foi a única a tirar proveito do infortúnio da Quality, acabando, ironicamente, por ajudar a preservar o seu legado. Mais adiante, será revelado o nome da segunda necrófaga.


Foi, portanto, com as minhas empoeiradas vestes de Indiana Jones amador que me lancei à aventura de exumar o escuso passado da Quality Comics. A muito custo, trouxe à luz do dia um punhado de achados arqueológicos e segredos surpreendentes que, sem mais delongas, faço questão de compartilhar com quem me lê. Na esperança de assim dar a conhecer alguns aspetos menos conhecidos da história de uma editora lendária com a qual os aficionados da Nona Arte têm, mesmo sem o saberem, um enorme débito de gratidão.
Venha daí comigo nesta emocionante viagem ao passado e permita que lhe apresente alguns dos alquimistas dos quadradinhos que, em tempos plúmbeos, douraram a imaginação de toda uma geração com as suas receitas de fantasia.

Segredos de uma editora lendária

Recheada de segredos e originalidades, a história da Quality Comics confunde-se com a do seu fundador, em quem teve aliás, o seu alfa e o seu ómega. Neto de um abastado empresário do ramo imobiliário, filho de um lente de Matemática e com uma árvore genealógica com raízes na Guerra da Independência dos EUA, Everett M. Arnold viera ao mundo na primavera de 1899 em Providence, a pitoresca capital do estado norte-americano do Rhode Island.
Do avô paterno, Arnold herdou o apurado faro para o negócio; da infância, a alcunha que faria as vezes do nome próprio que desde tenra idade aprendera a detestar: Busy (irrequieto, em tradução livre). Ganhara-a por conta da sua personalidade frenética que, a fazer fé nos relatos de amigos e familiares, o impedia de manter-se parado no mesmo sítio por mais do que alguns minutos.
Valeu-lhe, pois, o desporto para extravasar parte desse superávite energético. Aquando da sua passagem pela Universidade de Brown (onde o pai lecionara e de onde ele sairia diplomado em História), Busy distinguiu-se como guarda-redes na respetiva equipa de hóquei no gelo. Extremamente competitivo, consta que terá, em certa ocasião, desafiado um atleta olímpico para uma corrida, da qual, contrariando todas as probabilidades, terá saído vencedor. Lenda alimentada ao longo dos anos por Dick Arnold, seu filho e ele próprio um  ex-maratonista.

Busy Arnold fotografado em 1941 ao lado da escritora Gwen Hanson num clube noturno.
Somente uma beldade para conseguir reter o irrequieto fundador da Quality Comics.
Chegado o momento de transpor esse seu constante desejo de superação para a pista de obstáculos que é a vida, Busy Arnold, uma vez concluídos os estudos superiores em 1921, partiu à descoberta do mundo na metrópole que o encapsula: Nova Iorque. Na Grande Maçã, tirando certamente proveito da sua proverbial loquacidade, encetou uma meritória carreira como vendedor antes de se tornar um bem-sucedido empresário da indústria gráfica, numa altura em que esta se encontrava em franca expansão.
Devendo, por conseguinte, ser encarada como uma extensão natural deste seu último mister a sua subsequentes aposta na publicação de histórias aos quadradinhos. Material que, importa observar, nada sugere que Busy, leitor voraz, apreciasse sobremaneira; tampouco lhe era conhecida especial afeição pelas artes.
O que terá, então, motivado alguém com este perfil a fundar uma editora de banda desenhada? De tão prosaica, a resposta a essa pergunta resume-se numa palavra: lucro!
Perante a crescente popularidade de que gozavam os comics a meio da década de 1930, Busy Arnold sinalizou um filão que urgia explorar antes que outros se lhe antecipassem. São, de facto, muitos os paralelismos que podem ser traçados entre o boom das histórias aos quadradinhos e a Corrida ao Ouro que, menos de um século antes, levara garimpeiros de todo o país a rumarem à Califórnia em busca da pepita dourada que lhes poderia para sempre mudar as vidas.
Viviam-se os anos de chumbo da Grande Depressão que precedeu a entrada dos EUA na II Guerra Mundial e o sempre azougado Busy Arnold, com a visão que o caracterizava, intuiu que não faltaria quem procurasse nesse tipo de publicações um escape barato e sem contraindicações conhecidas às agruras do quotidiano.
Muito provavelmente com o duplo obejtivo de medir o pulso ao mercado e de adquirir know-how, em 1935 a gráfica de Busy Arnold começou a assegurar a impressão de alguns dos títulos da Comics Magazine Company (posteriormente renomeada Centaur Publications). Confiante no êxito do empreendimento, um par de anos bastaram para Busy decidir avançar com a criação da sua própria editora.
Da parceria estratégica estabelecida em 1937 entre Busy Arnold e uma tríade de estúdios independentes (McNaught Syndicate, Frank J. Markey Syndicate, e Register and Tribune Syndicate) nasceu o consórcio Comics Favorites, Inc., que teve em Features Funnies o seu título inaugural.

Feature Funnies nº1 (outubro de 1937).
Em linha com a práxis editorial da época, a neófita série republicava a cores antigas tiras de jornal, aqui e ali misturadas com histórias inéditas. Parte das quais eram fornecidas à la carte pelo Eisner & Iger, um dos mais requisitados estúdios por onde, nos primórdios da indústria dos quadradinhos, passaram alguns dos mais talentosos artistas freelancers.
Habituado a estar sempre um passo à frente da concorrência, Busy Arnold terá considerado pouco prudente prolongar por muito mais tempo essa dependência em relação a terceiros. Para dirimi-la, precisava de começar, o quanto antes, a produzir os seus próprios conteúdos. O que viria verificar-se logo em Features Funnies nº3 (edição datada de dezembro de 1937). Tornando-se, assim, a Comics Favorites a segunda editora a publicar material original, poucas semanas depois de a National Allied Publications (uma das empresas que originariam a DC Comics) o ter começado a fazer.
Ano capital na história da Quality Comics, 1939 começou por ficar marcado pela compra dos interesses da McNaught e da Markey (seu antigos sócios) por parte de Busy Arnold e dos proprietários do Register & Tribune Syndicate. Dando dessa forma a Comics Favorites lugar à Comics Magazine, Inc., doravante responsável pela publicação da linha de títulos com a nova chancela da Quality Comics. Residindo neste ponto uma das suas mais interessantes originalidades, visto que esse nunca foi, legalmente, o nome da editora. Não obstante, foi através dessa denominação informal que ela se notabilizou entre os leitores e que se imortalizou na história da Nona Arte.
Em tempos de recessão económica e de profunda crise social, Busy Arnold sabia bem que as pessoas pensariam duas ou mais vezes antes de gastarem cada centavo arduamente ganho, pelo que teria de aliciá-las com material superior àquele que a concorrência tinha para oferecer. Quality Comics seria, portanto, o selo de qualidade que acompanharia cada um dos títulos editados sob os auspícios da Comics Magazine, tendo sido Crack Comics nº5 (setembro de 1940) o primeiro volume a ostentá-lo no respetivo frontispício.



O  icónico selo da Quality Comics e
 a primeira edição a ostentá-lo sob o respetivo logótipo.
Ainda nesse louco ano de 1939 a sede da Quality Comics foi transferida para Stamford, no estado do Connecticut, para onde Busy Arnold se mudara entretanto com a família. Alguns estudiosos da Idade do Ouro sugerem, aliás, que terá sido ao epíteto dessa cidade - Quality City (Cidade de Qualidade) - que Busy terá ido beber inspiração na hora de crismar o seu novo projeto.
Foi também por essa altura que a Quality Comics redefiniu a sua política editorial, passando progressivamente a conceder maior primazia às séries estreladas por super-heróis (conceito cada vez mais em voga naqueles dias), em detrimento das histórias policiais e de terror que, até aí, eram hegemónicas no seu cardápio de publicações.




Três dos títulos mais emblemáticos da Quality Comics.
Plastic Man, Kid Eternity e Phantom Lady (conhecidos entre nós, respetivamente, como Homem-Borracha, Kid Eternidade e Lady Fantasma) foram, a par do intrépido aviador Blackhawk (Falcão Negro, que teria, inclusivamente, direito a uma série cinematográfica de baixo orçamento em 1952), algumas das novas coqueluches da Quality Comics. À qual, em 1942, coube igualmente a honra de publicar pela primeira vez em formato magazine as histórias de The Spirit. Até então, os fãs do detetive mascarado idealizado dois anos antes por Will Eisner apenas tinham podido acompanhar as suas aventuras através de tiras de jornal ou de ocasionais suplementos dominicais distribuídos com os tabloides.
Numa jogada que apenas pode ser classificada como brilhante, Busy Arnold socorreu-se de todo o seu poder persuasivo para convencer Eisner a trocar o seu prestigiado estúdio pela Quality Comics. No culminar de um meticuloso processo negocial com vista a salvaguardar os seus direitos autorais, o criador de Spirit tornar-se-ia o segundo pilar do clamoroso sucesso da editora ao longo de toda a década de 1940. Se Busy Arnold era o homem de negócios, Eisner, nomeado editor-chefe, seria de ora em diante o cérebro da Quality. Tanto mais que, tal como todos os que o antecederam e lhe sucederam no cargo, foi fiel-depositário da total confiança de Busy Arnold, que sempre se manteve à margem das decisões editoriais.


Will Eisner (cima) e The Spirit:
dois reforços de peso para Quality Comics
Eisner não foi, no entanto, o único virtuoso da Nona Arte a reforçar a equipa criativa da Quality Comics. Jack Cole (criador de Plastic Man), Lou Fine ( antigo"fantasma" do próprio Eisner) e Nick Cardy (ver perfil neste blogue) fizeram também parte do escol de artistas que influenciaram o género super-heroico, contribuindo sobremaneira para a sua popularidade.
Alguns dos seus trabalhos acabariam todavia por perder-se devido à renitência de Busy Arnold em restituir a arte original aos respetivos autores, receando que eles a revendessem. Havendo mesmo quem jure ter visto Busy Arnold a rasgar alguns desenhos originais. Circunstância que em nada ajudou à preservação do magnífico património cultural da Quality Comics.
Mesmo desfalcada de algumas das suas vedetas em consequência do esforço de guerra (o próprio Eisner seria chamado a cumprir serviço militar), a Quality Comics continuou a prosperar até à viragem da década de 1950. Prosperidade materializada numa profusão de títulos e personagens que, como mais adiante se perceberá, despertavam a cobiça das editoras rivais.
Com o advento da televisão e a revitalização dos livros de bolso, os primeiros anos da década de 50 trouxeram consigo o irrefreável declínio dos super-heróis. Acentuado, em boa medida, pela vilipendiação  de que foram alvo, a partir de 1948, pelo polémico psiquiatra germânico Fredric Wertham, autor do igualmente controverso livro Sedução dos Inocentes (1954).

A revista masculina Classic Photography
foi uma das últimas iniciativas editoriais da Quality.
Ironicamente, a Quality Comics sobreviveu à ferocidade da concorrência, aos horrores de uma conflagração mundial e a uma torpe cruzada conservadora, mas não às dificuldades logísticas.
Numa altura em que as vendas da editora já caíam a pique, a American News Company, sua distribuidora de longa data, declarou falência. Sem ela, a Quality Comics não tinha como fazer chegar as suas publicações aos pontos de venda. Ainda recorreu aos serviços de outra empresa nos meses que precederam a sua extinção, mas a rede de distribuição manteve-se deficiente, causando o esmorecimento dos leitores que se lhe tinham mantido fiéis.
Desvanecido o fulgor dourado de outros tempos, e quando soavam já os tétricos acordes do seu réquiem, a editora fundada por Busy Arnold, numa última e desesperada tentativa para escapar ao seu fatídico destino, apostou as fichas que lhe restavam no ecletismo das suas publicações, chegando mesmo a lançar um pastiche da Playboy intitulado Classic Photography. Estratégia que, contudo, logrou apenas adiar o inevitável. Em 1956, ao fim de quase duas décadas de intensa atividade, a Quality Comics cerrou portas, para não mais as reabrir.
Resignado, também Busy Arnold rumou à Califórnia para gozar a sua merecida reforma, mantendo-se afastado do mundo dos negócios até ao fim dos seus dias. Escrevia-se assim o epitáfio simbólico da Idade do Ouro.

Legado em mãos alheias

Após a extinção da Quality Comics, a maior parte das suas personagens e das suas séries periódicas foram adquiridas pela DC Comics, que optou, no entanto, por dar continuidade apenas a quatro delas: Blackhawk, G.I. Combat, Robin Hood Tales e Heart Throbs (esta última com mais de 100 edições publicadas sob a égide da Editora das Lendas).
Dentre os antigos ícones da Quality Comics revividos ao longo das décadas seguintes pela DC, Plastic Man foi, indubitavelmente, o mais acarinhado pelos fãs. Muitos dos quais tiveram, como eu, a sua infância marcada pela série animada que o teve como protagonista entre 1979 e 1981.
Até à unificação do Multiverso DC ditada pelos eventos de Crise nas Infinitas Terras, as personagens oriundas da Quality Comics ficaram acomodadas em duas realidades separadas: Terra-Quality e Terra-X.
Enquanto na primeira a História seguiu um curso idêntico ao das restantes Terras, já a segunda divergia radicalmente delas. Nesse dimensão paralela, a II Guerra Mundial prolongou-se até 1973. Foi este o subterfúgio encontrado para justificar a atividade dos Freedom Fighters (Combatentes da Liberdade) vários anos transcorridos sobre o término do conflito. Situação que seria, contudo, objeto de revisão na continuidade pós-Crise.

Os Combatentes da Liberdade em ação durante Crise nas Infinitas Terras.
Além da DC, também a AC (sigla de Americomics) adquiriu e republicou muito do material original da Quality protagonizado por personagens menos conhecidas e deixando de fora os super-heróis.
Conforme ratifica a ausência de registo na Biblioteca do Congresso dos EUA, nenhuma delas renovou, no entanto, os direitos sobre essa propriedade intelectual, relegando-a dessa forma para o domínio público. Significando isto que, na prática, qualquer pessoa poderá utilizar esse valioso espólio.
Algures por aí existe, portanto, uma espécie de Arca Perdida a transbordar de tesouros de papel à espera de serem (re)apresentados ao mundo por um qualquer Indiana Jones. Enquanto isso não acontece, resta-nos venerar o magnífico legado da Quality Comics, sem o qual a história do género super-heroico seria certamente menos rica.

ÍCONES QUALITY

No sentido dos ponteiros do relógio temos:
Captain Triumph (Capitão Triunfo);  Phantom Lady  (Lady Fantasma);
Blackhawk  (Falcão Negro);
Ray, Miss América e  Plastic Man (Homem-Borracha).

ÍCONES QUALITY II

Pela mesma ordem da imagem anterior temos:
Max Mercury  (Max Mercúrio); Tio Sam (dos Combatentes da Liberdade);
Jester;
Wildfire (Chama); Torchy e  Firebrand (Labareda) 

Agradecimento muito especial ao meu bom amigo Emerson Andrade que, com a sua costumeira bonomia, acedeu a conceber estas duas fabulosas montagens para servirem de suporte gráfico ao meu artigo. Para ele, um abraço do tamanho do oceano que nos aparta.
































































o.
Concluído os estudos, Arnold mudou-se em 1921 para Nova Iorque. 

quinta-feira, 8 de junho de 2017

GALERIA DE VILÕES: MERCENÁRIO



  Devido aos seus talentos únicos, é um dos mais cotados assassinos do submundo nova-iorquino. Quase sempre uma sentença de morte para os seus alvos, as suas sangrentas credenciais incluem duas ex-namoradas do Demolidor, por quem desenvolveu uma perturbadora obsessão. 

Denominação original: Bullseye (vocábulo inglês que designa o centro de um alvo e, por extensão, qualquer lançamento ou disparo que o atinja)
Licenciadora: Marvel Comics
Criadores: Marv Wolfman (história) e John Romita Sr. (arte conceitual)
Estreia: Daredevil #131 (março de 1976)
Alter egos: Lester,  Benjamin Poindexter e Leonard
Local de nascimento: Queens, Nova Iorque
Parentes conhecidos: Kingmaker (pai, falecido), mãe não-identificada; Nathan (irmão, falecido), os Wilkerson (família de acolhimento)
Ocupação: Assassino a soldo
Base operacional: Nova Iorque
Afiliações: Ex- soldado do Exército dos EUA; ex-operacional da NSA (sigla inglesa para Agência de Segurança Nacional); ex-membro do Tentáculo, dos Vingadores Sombrios e dos Thunderbolts; ex-sicário do Rei do Crime*, do Homem Púrpura e de Mysterio. 
Armas, poderes e habilidades: Atendendo ao caráter único dos seus talentos, especulou-se durante algum tempo que o Mercenário poderia ser um mutante. Sucessivas análises ao seu ADN refutariam contudo essa hipótese.
Apesar da sua natureza humana, o Mercenário nasceu com uma pontaria quase infalível e com a assombrosa habilidade de lançar virtualmente qualquer objeto com a força e precisão suficientes para o converter num projétil letal. Nas suas mãos, uma simples carta de baralho pode servir para lacerar a garganta de uma pessoa. Outra das suas mais notórias proezas consistiu em matar alguém com um palito arremessado a uma distância de várias centenas de metros.
A sua letalidade decorre igualmente da sua proficiência no manuseamento de todo o tipo de armas. A despeito de ser um exímio franco-atirador, a sua preferência recai habitualmente sobre as de arremesso, como os shurikens ou as adagas sai. Antes da ressurreição de Elektra, o Mercenário gostava de exibir aquela que usara para empalar a ex-amante do Demolidor, apenas para provocar o herói.

Shurikens são as armas prediletas do Mercenário.

Com uma condição física equivalente à de um atleta olímpico, após ter ficado paralisado na sequência de uma queda ocorrida durante um confronto com o Demolidor, o Mercenário teve a sua fisiologia incrementada por implantes de adamantium. Além de lhe proteger os ossos de fraturas, o revestimento metálico permite-lhe a execução de manobras e acrobacias interditas ao comum dos mortais. Tendo o processo em causa sido conduzido pelo próprio Lorde Vento Negro (Lord Dark Wind, no original), o qual incluiu um tratamento herbáceo para prevenir os efeitos de uma eventual rejeição do organismo do Mercenário ao metal injetado.
Recorde-se, a este propósito, que Lorde Vento Negro foi o inventor do procedimento de implantação de adamantium. Foi aliás nas suas anotações incompletas que os cientistas do Programa Arma X se basearam para o aplicar a Wolverine, que só sobreviveu graças ao seu fator de cura mutante.
Em complemento a tudo isto, o Mercenário é também um mestre das artes marciais. Mesmo desarmado, é um adversário de respeito mesmo quando tem pela frente outros lutadores de alto gabarito.
Meticuloso, o Mercenário tem por hábito estudar até o mais ínfimo detalhe dos seus alvos: histórico familiar, boletim clínico, relacionamentos, habilidades, etc. Informação que utiliza depois para tentar antecipar os movimentos dos seus oponentes em combate. Não raro, essa compulsão extravasa o campo profissional e adentra a esfera pessoal, como sucedeu com Elektra, por quem, a exemplo do Demolidor, desenvolveu em tempos uma perturbadora obsessão.
Após sofrer um ferimento na cabeça, durante um brevíssimo período de tempo, o Mercenário conseguia pressentir telepaticamente a presença do Demolidor. Tão depressa como se manifestou, o referido poder desvaneceu-se sem deixar vestígios.

Cartada mortal.
Fraquezas: Recorrentemente diagnosticado como um perigoso psicopata com um pronunciado viés sádico, o Mercenário possui de facto uma mente volátil, o que o torna suscetível a surtos psicóticos quando perde as estribeiras. 
Mesmo quando balança entre a razão e a insanidade, o Mercenário aproveita o seu trabalho de assassino contratado para satisfazer a sua compulsão homicida e para levar a cabo a sua vingança pessoal contra o Demolidor.
É igualmente propenso a paranoias e a delírios esquizofrénicos. Como, de resto, ficou demonstrado na ocasião em que, de tão obcecado com o Demolidor, se convenceu ser ele próprio o Homem Sem Medo. Ou quando passou a vislumbrar o rosto do herói em qualquer pessoa com quem se cruzava. Em ambos os casos, os seus distúrbios psíquicos foram preponderantes para a sua derrota.
Exames médicos posteriores revelariam, contudo, que os seus devaneios eram parcialmente causados por um tumor cerebral, que lhe foi entretanto cirurgicamente removido.
Ignora-se, por outro lado, se esse facto terá alguma correlação com o seu daltonismo, ou se essa sua condição será de origem genética. Certo é que, em determinados contextos, ela lhe pode causar constrangimentos, designadamente no que à identificação de um alvo diz respeito.
Por outro lado, apesar da sua mira quase perfeita, já denotou algumas dificuldades em atingir alvos em movimento.

Por vezes, a mente do Mercenário prega-lhe partidas.
Como quando passou a ver o Demolidor em cada rosto na multidão.
Histórico de publicação: Apesar de na sua primeira aparição, em Daredevil nº131 (março de 1976), o Mercenário ter sido desenhado por Bob Brown, os créditos da sua arte conceitual pertencem a John Romita Sr, que com o escritor Marv Wolfman** divide a "paternidade" da personagem.
Conhecido pelo seu sentido de humor torpe, o Mercenário parece divertir-se a ludibriar quem o investiga. Em 2004, a minissérie Bullseye: Greatest Hits propôs-se derramar alguma luz sobre o passado do vilão. Nela, ele afirmava chamar-se Leonard e relatou mesmo alguns pormenores biográficos. Mas logo se percebeu que boa parte deles (ou, quiçá, a totalidade) eram forjados.
No rescaldo de Civil War***, o escritor britânico Warren Ellis assumiu as histórias de Thunderbolts, incorporando o Mercenário no renovado elenco da equipa. Da qual, durante a saga Dark Reign (sequência direta de Secret Invasion), se transferiria para os Vingadores Sombrios. Assumindo nessa fase o codinome Gavião Arqueiro.

O Mercenário anuncia ao que vem em Daredevil nº131 (1976).
Ao mesmo tempo que se evidenciava em Dark Avengers, o Mercenário/Gavião Arqueiro protagonizou Dark Reign: Hawkeye, minissérie em 5 volumes com assinatura de Mark Diggle e Tom Raney. Ainda na sua qualidade de Vingador Sombrio, desempenhou papel crucial no crossover Dark Avengers/ Uncanny X-Men, publicado no verão de 2009.
Aparentemente morto pelo Demolidor em Shadowland nº1 (setembro de 2010), o Mercenário ressurgiria meses depois, nas páginas de Daredevil Vol.3 nº26. Apesar de ter milagrosamente sobrevivido aos graves ferimentos infligidos pelo seu velho inimigo, era agora um prisioneiro do próprio corpo. Quando finalmente recuperou a sua mobilidade, procurou vingar-se do Homem Sem Medo, acabando, no entanto, cego e desfigurado ao cair num tanque com resíduos radioativos.

Capa de Bullseye: Greatest Hits nº2 (2004), 
Origem: Quem se aventura a desvendar o mistério em que está envolto o passado do Mercenário corre o sério risco de se perder num labirinto de mentiras e enganos. Que o digam os agentes federais que, certa vez, o sujeitaram a um exaustivo interrogatório quando ele se encontrava confinado numa prisão de alta segurança.
Entre os vários elementos biográficos que o vilão lhes revelou, incluía-se a descrição da sua conturbada infância em Queens, na casa que compartilhava com o seu irmão mais velho e com o pai alcoólico que os molestava. E de como foi entregue aos cuidados de uma família de acolhimento depois de o seu irmão ter ateado fogo à casa numa tentativa fracassada de matar o progenitor.
No liceu, as suas habilidades inatas fizeram dele o astro da equipa de basebol, chegando mesmo a ser-lhe oferecida uma bolsa de estudo. Terá preferido, contudo, jogar nas ligas secundárias onde continuou a sobressair como exímio lançador.
Até ao dia em que aceitou um suborno para falhar todos os arremessos numa partida decisiva. Em resposta às provocações de um jogador adversário, alvejou-o na cabeça com a última bola do jogo, causando-lhe morte instantânea em plena quadra. Indiferente à comoção que varria as bancadas, terá exclamado alegremente "Bullseye!" ("Em cheio!", numa tradução adaptada).
Toda esta informação carece, porém, de confirmação. Tanto mais que o Mercenário já demonstrou ser uma fonte pouco confiável. Chegando mesmo a admitir ter inventado esta história apenas para zombar dos seus captores.

Terá o Mercenário passado ao lado
 de uma fulgurante carreira desportiva?
Certo é que, ao longo dos anos, ele apresentou outras versões dessa narrativa: numa delas, reconhecia ter sido ele o autor do incêndio que quase matara o pai; noutra, garantia tê-lo matado com um tiro na cabeça depois de lhe ter desenhado um alvo na testa enquanto ele dormia.
Alguns indícios sugerem, todavia, que, antes de empreender a sua carreira como assassino a soldo, o Mercenário terá sido um franco-atirador do Exército dos EUA, onde terá sido recrutado para a Agência de Segurança Nacional. Ao serviço da qual terá, alegadamente, viajado pelo mundo antes de ser dispensado com baixa desonrosa. Tudo porque terá, presumivelmente, usado os recursos da agência para montar um esquema de extorsão a narcotraficantes na Nicarágua. Quando este foi desmantelado pelo Justiceiro, o Mercenário desapareceu do radar.
Reapareceria algum tempo depois em Nova Iorque envergando já o seu icónico uniforme. A fim de publicitar os seus serviços de matador profissional, concedeu uma entrevista ao Clarim Diário, atraindo assim a atenção do Demolidor.
Depois de, num primeiro embate, ter levado a melhor sobre o Homem Sem Medo, sofreria uma humilhante derrota na segunda ocasião em que os dois mediram forças. Esse foi, aliás, o primeiro de muitos desaires às mãos do padroeiro da Cozinha do Inferno, tornando-o alvo de chacota nos meandros do submundo da Grande Maçã.
Apesar da mossa que isso causou na sua reputação, o Mercenário foi elevado a assassino-mor do Rei do Crime. Contudo, após nova temporada atrás das grades, ficou furioso ao descobrir que perdera o emprego para Elektra, a enigmática ninja que mantinha um tórrido romance com o Demolidor.



Um dos muitos duelos entre o Mercenário e o Demolidor.
Despeitado, o Mercenário confrontou Elektra, acabando por empalá-la com a sua própria adaga sai. Restaurada a sua reputação, o Mercenário recuperou o seu emprego na organização de Wilson Fisk. Mas foi sol de pouca dura.
Ávido de vingança pela morte da amada, o Demolidor derrotou uma vez o mais o Mercenário. No auge do combate, o vilão despencou do telhado de um prédio.
Paralisado numa cama de hospital e dependendo de um ventilador mecânico para respirar, seria de esperar que os seus dias de assassino contratado tivessem chegado ao fim. E, de facto, assim teria sido se Lorde Vento Negro, um cientista e senhor do crime japonês, não lhe tivesse infundido o esqueleto com adamantium.
Depois de uma curta estada no país do Sol Nascente ao serviço do seu benfeitor, o Mercenário regressaria a Nova Iorque para voltar a integrar a folha de pagamentos do Rei do Crime. O que, uma vez mais, o colocou na mira de um certo herói cego...

A morte de Elektra foi um dos pontos altos
da sangrenta carreira do Mercenário.

Miscelânea:

*Enquanto ao serviço do MARTELO (agência de contraterrorismo herdeira da SHIELD, que, entre outras coisas, tutelava os Vingadores Sombrios após os eventos de Invasão Secreta), ao Mercenário foi concedida uma autorização de segurança nível 5, a mais elevada no protocolo da instituição;
*Entre os mais insólitos objetos utilizados pelo Mercenário para matar alguém destacam-se um aviãozinho de papel, um caniche e até um dente que lhe fora arrancado durante uma zaragata, e que ele cuspiu como se de uma bala se tratasse;
*Amigos de longa data, Mercenário e Deadpool têm um passado em comum como soldados da fortuna e partilham praticamente o mesmo grau de insanidade mental;

Deadpool e Mercenário; almas gémeas.
*Prestes a ser executada a sangue-frio pelo Mercenário, Lindy Reynolds, a malograda esposa do herói conhecido como Sentinela, pediu-lhe, à laia de último desejo, que ele lhe revelasse o seu nome verdadeiro. Em resposta, o vilão apresentou-se simplesmente como Ben, numa possível referência a Benjamin Poindexter, o seu alter ego no Universo Ultimate, dimensão paralela povoada pelas versões revistas e atualizadas das principais personagens Marvel. À semelhança de quase todas elas, também o Mercenário teve a sua origem recontada;
*Além de Elektra e Karen Page, o Mercenário tentou matar também Milla Donovan, a ex-esposa (cega de nascença) de Matt Murdock. Na segunda ocasião em que o fez, foi detido pela Viúva Negra, também ela um antigo interesse amoroso do Demolidor;
*Aos olhos de muitos um émulo do Pistoleiro, são dois os aspetos essenciais que distinguem o Mercenário do seu homólogo da DC: a sua preferência por armas brancas e de arremesso em detrimento de armas de fogo, e a ausência de um espartano código de ética. Diferente do Pistoleiro, o Mercenário não tem pundonor em executar mulheres e crianças, tampouco separa negócios de assuntos pessoais.´

À falta de balas, o Mercenário
 pode usar um dente para tirar a vida a alguém.
Noutros segmentos culturais: Desde 2009 que o Mercenário ocupa um mui lisonjeiro 20º lugar na lista dos 100 melhores vilões da banda desenhada elaborada pela plataforma digital de entretenimento IGN. À frente, por exemplo, de outros expoentes de malignidade, como Ultron ou Venom.
Nos últimos anos tem sido também um habitué numa miríade de videojogos baseados no Universo Marvel. No mais recente, Marvel: Future Fight (2015), surge mesmo como personagem jogável.
Foi, no entanto, a sua passagem pelo grande ecrã que notabilizou o Mercenário junto do grande público. Em 2003, interpretado por Colin Farrell, o vilão teve papel de relevo em Daredevil, a primeira (e, até à data, única) longa-metragem do Homem Sem Medo.
Aproveitando a nacionalidade e o sotaque do ator escolhido para lhe dar vida, no filme o Mercenário tem raízes irlandesas. Surgindo também com roupagens muito diferentes daquelas que costuma usar nos quadradinhos. Em vez do tradicional uniforme azul e branco, o vilão enverga uma fatiota de cabedal de que nenhum gótico ou fã de heavy metal desdenharia. Não faltando, claro, o icónico alvo tatuado na fronte.
Tal como a sua contraparte dos comics, a versão cinematográfica do Mercenário tem nos shurikens a sua arma favorita, pese embora o seu arsenal inclua também pequenos objetos à primeira vista inócuos: clipes, cartas de baralho e até amendoins. Uma cena pós-créditos mostra-o, de resto, paralisado numa cama de hospital, sem que isso o impeça de usar uma agulha hipodérmica para empalar uma mosca sem contudo a matar. Murmurando depois, a custo, "Bullseye!". O que, neste contexto, poderá ser literalmente traduzido como "Na mosca!".

Colin Farrell emprestou o seu charme irlandês
ao Mercenário em Daredevil.

*Prontuário do Rei do Crime em http://bdmarveldc.blogspot.pt/2015/09/galeria-de-viloes-rei-do-crime.html
**Perfil de Marv Wolfman em http://bdmarveldc.blogspot.pt/2014/09/eternos-marv-wolfman-1946.html
***Resenha alargada de Guerra Civil em http://bdmarveldc.blogspot.pt/2016/12/classicos-revisitados-guerra-civil.html